Estamos em construção!

Paula Lobato Armond

A Educação Montessori desafia o tempo todo àqueles que se dedicam à prática do método – pais, avós, amigos, professores, etc – a buscarem o autoconhecimento, a simplicidade e o servir.

A preparação que o nosso método exige do educador é o autoexame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber servir à criança, e revestir-se de amor.

Maria Montessori

E sob essa perspectiva, para ser um Educador Montessori não basta conhecer sobre as fases do desenvolvimento humano, não basta compreender o modo de utilização dos materiais de desenvolvimento, não basta preparar o ambiente para que a criança realize suas experiências práticas, é preciso fazer tudo com amor… um amor sublime, um amor que conecta, que entende, que sabe o momento de intervir, que sabe separar o EU educador do EU educando, que sabe inspirar o respeito pela individualidade e pela coletividade, que sabe inspirar a admiração pelas características e potencialidades de cada um, que compreende no mais profundo do seu ser que cada pessoa está aqui para contribuir – cada uma com sua maneira peculiar – para a beleza e a prosperidade do mundo.

Porém, a aquisição dessa habilidade de amar, não tem fim… Estamos sempre em construção!

Maria Montessori nos ensina que a criança é o construtor de si mesmo, que aprende a partir do potencial que carrega em seu interior e de suas experiências práticas. Isso acontece de fato quando o educador também se coloca em construção, e através do amor, se aprimora, aprofunda seus conhecimentos, se conhece – num ciclo contínuo… sem buscar justificativas, sem mecanismos de defesa, sem culpados, apenas amando, errando e se aperfeiçoando…

Na atualidade, o Papa Francisco nos leva à mesma reflexão, nos colocarmos em construção.

Estamos em construção!

Durante a nossa vida causamos transtornos na vida de muitas pessoas, porque somos imperfeitos.

Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas, falamos sem necessidade, incomodamos.

Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos.

Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro.

Parece que o mundo gira em torno dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe.

E assim, vamos causando transtornos.

Esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos, mas em construção.

Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma.

O outro também está em construção e também causa transtornos.

E às vezes, um tijolo cai e nos machuca.

Outras vezes, é a cal ou o cimento que suja o nosso rosto.

E quando não é um, é outro.

E o tempo todo nós temos que limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem conosco também têm de fazer.

Os erros dos outros, os meus erros.

Os meus erros, os erros dos outros.

Esta é uma conclusão essencial: Todas as pessoas erram.

A partir dessa conclusão, chegamos a uma necessidade humana e cristã: o perdão.

Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras.

É compreender que os transtornos são muitas vezes involuntários.

Que os erros dos outros são semelhantes aos meus erros e que como caminhantes de uma jornada, é preciso olhar adiante.

Se nos preocupamos com o que passou, com a poeira, com o tijolo caído, o horizonte deixará de ser contemplado. E será um desperdício.

O convite que faço é que você experimente a beleza do perdão.

É um banho na alma!

Deixa leve!

Se eu errei, se eu o magoei, se eu o julguei mal, desculpe-me por todos esses transtornos…

Estou em construção!

Papa Francisco

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