Casa, Escola, Comunidade – O papel da família na formação da criança

Talita de Almeida

A família, com seu núcleo (pai e mãe) e demais membros, é a primeira área de influência na vida da criança, com raras exceções, é o exemplo vivo da impotência em qualquer nível social – o “não sei o que fazer com meu filho”, o “não sei o que dar ao meu filho”, o “não sei a quem ele saiu”, “os tempos modernos”, “as companhias”, etc, são balbucios de uma perplexidade impotente ante a força de seu filho – de bebê a adolescente, a jovem, a adulto.

Muitos pais preferem ser “à antiga”, retomando seu autoritarismo, mantendo seus grilhões, impedindo a opção e o livre pensamento. Todos nós sabemos que isto não funciona, pois quase todo nós fomos fugitivos de nossas prisões. Muitos pais preferem ser “modernos”, “prá frente”, abrindo mão de sua autoridade, dando uma liberdade sem limites, permitindo opções variadas numa idade em que a escolha consciente nem sempre é possível. O pensamento se cria, se integra, se enriquece, porém, se fragiliza ante tantas variáveis que o adulto deixa passar para a criança em momentos inadequados de sua vida.

O meio termo é a situação ideal: onde o direito de família é exercido, quiçá, por um casal racional, ajustado, coerente, amigo, respeitoso, amado. Não é uma situação utopística, querer coerência no momento atual; o problema é como não ser engolido pela massificação, pelo estereótipo, pelo consumo, pela engrenagem, pelo supérfluo, pelo domínio subliminar das ditaduras emocionais e sociais.

A família educa uma criança dentro de seus princípios, segundo seus valores, para um amanhã que é constituído por sua sociedade, porém, este fato tão simples é incrivelmente complexo pelas injunções políticas e sociais. Se não entendemos o mundo lá fora, não podemos deixar de entender o mundo dentro de nossas casas, no âmago de nossa família; o mundo que expressa a nós mesmos, em nossa essência subjetiva, psicológica. Ter sucesso lá fora e ser um fracasso em casa é hoje uma das realidades do homem e da mulher, que já aceitam esta situação conflitiva sem lutar, permitindo que os tentáculos de uma sociedade desestruturada penetre em sua casa e os transforme, e a seus filhos em robôs.

Qualquer explicação, justificativa dada ao confessor público ou privado, não exonera a família de sua culpa, de sua fragilidade, de sua omissão, de sua responsabilidade.

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Casa, Escola, Comunidade – Que tipo de criança estamos deixando para o mundo?

Talita de Almeida

Para que a criança possa viver em sociedade e dela receber os estímulos à sua inteligência e desenvolvimento físico, é necessária a existência de três elementos influindo sobre o educando: ambiente, educador e material de desenvolvimento.

Em cada um desses elementos básicos de influência, no entanto, nós teremos presentes a casa, a escola, a comunidade, responsáveis, todos, pela educação da criança em seu grupo social.

No processo educativo é necessário, imprescindível mesmo, que a casa, a escola e a comunidade tenham pontos concordantes de educação e cultura, possuindo uma mesma linguagem e transmitindo um similar código de valores. No entanto, isto nem sempre acontece, os três elementos de influência mais direta muitas vezes discordam entre si em suas filosofias de valores e na prática educativa, fazendo a criança viver uma situação dúbia, nem sempre clara para ela, que não encontra equilíbrio nas propostas de vida apresentadas.

A criança é o elo entre as gerações. Ela é quem transmite a cultura já renovada pelos valores integrados e reelaborados. Ela é, hoje, o homem que leva a tocha do futuro, o observador ingênuo do presente – ingênuo mas crítico – analisando com sua inteligência o momento sócio-econômico-cultural em que vive. Ela é um expectador do acontecido em casa, na escola e na comunidade e ela refletirá, desde o berço, o clima que este ambiente, este educador, estas ofertas de ações lhe imprimiram.

Isto hoje é tão óbvio, tão conhecido, tão divulgado, porém, o adulto de todos os níveis nunca foi tão impotente quanto à educação de seu filho, seu aluno, seu vizinho. Inconsciente ou conscientemente, ele resolveu adestrá-lo, condicioná-lo a estímulos e respostas prontas, por não saber por que e para que educar.

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